SÍNDROME INFLAMATÓRIA MULTISSISTÊMICA PEDIÁTRICA (TEMPORARIAMENTE ASSOCIADA À COVID-19)
Contexto Histórico e Identificação
Em 26 de abril de 2020, o Sistema Nacional de Saúde Inglês (NHS) lançou um alerta relatando a identificação de uma nova apresentação clínica em crianças previamente saudáveis, possivelmente associada à COVID-19. Trata-se da Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) grave, com características semelhantes às observadas na doença de Kawasaki, Kawasaki incompleta e/ou síndrome do choque tóxico. Posteriormente, diversos países na Europa e na América do Norte — como Espanha, França, Itália, Canadá e Estados Unidos — também reportaram casos em crianças e adolescentes.
Espectro Clínico e Associação
O espectro clínico completo da SIM-P ainda está em investigação. Os relatos de casos descrevem manifestações caracterizadas por febre persistente acompanhada de hipotensão, comprometimento de múltiplos órgãos e elevados marcadores inflamatórios. Sintomas respiratórios não estão presentes em todos os pacientes. A maioria dos casos apresenta exames laboratoriais indicativos de infecção atual ou recente pelo SARS-CoV-2 (por biologia molecular ou sorologia) ou vínculo epidemiológico com caso confirmado de COVID-19. Tal achado sustenta a hipótese de associação, embora a relação causal direta permaneça sob estudo.
Diretrizes Internacionais e Cenário no Brasil
Autoridades sanitárias internacionais, como o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), publicaram alertas recomendando a notificação de casos suspeitos para a coleta de dados padronizados. No Brasil, o alerta conjunto emitido em 20 de maio de 2020 pelo Ministério da Saúde, pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) mobilizou a comunidade médica para a identificação precoce e o manejo clínico adequado no país.
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